Retrocesso Coletivo

No sábado, logo após finalizar o primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma emblemática notícia me fez refletir um pouco mais sobre a situação das universidades públicas brasileiras e de seus respectivos cursos.
A notícia dizia que 57,2% dos que fizeram o Enem 2014 já concluíram o Ensino Médio, ou seja, aproximadamente 4,9 milhões de pessoas. Pouco mais de 20% cursam o 3º ano do Ensino Médio e o restante não fizeram ou são “treineiros” que ainda não chegaram ao 3º ano.
Por mais que seja a fim de se testar conhecimentos ou não perder o costume e o ritmo, realizar novamente uma prova tão importante como o Enem, a qual se condiciona em porta de acesso para muitas universidades do país, significa problemas a serem suprimidos e visões a serem contornadas.
Falar em problemas nas universidades públicas brasileiras até parece um mero clichê; mas é preciso estar ciente de que esses problemas se apresentam de variadas formas, gostos e contragostos entre as instituições que no Brasil estão instaladas. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o problema pode ser a evasão ou o preconceito; mas no campus interiorizado da Universidade Federal de Sergipe esses problemas podem advir de sérios déficits de articulação entre os Campi, que sucateia toda a estrutura interiorizada e deixam à deriva centenas de discentes e docentes.
As visões as quais cito também podem ser colocadas como ideologias. Visões de minimização das licenciaturas em contraposição à Medicina e ao Direito. A ideologia da precarização da profissão de Professor. Que ao invés de ser visto como educador que luta por direitos ignorados, é julgado pela própria sociedade, carente de educação e entorpecida pela ignorância, de preguiçoso não cumpridor de seu papel.
Foram estes dois pontos que me instigaram a escrever este texto. Não são 4,9 milhões de preocupados com seu conhecimento de mundo; são 4,9 milhões de preocupados com o próprio contexto, com a própria situação. Interesses individuais que se mesclam em um retrocesso coletivo.

'O Grito' (MUNCH, Edvard), representa perfeitamente o sentimento aprisionado dentro da mente dos professores brasileiros. Eles estão sendo alvo da própria sociedade. Sociedade a qual é educada pela ignorância.
‘O Grito’ (MUNCH, Edvard), representa perfeitamente o sentimento aprisionado dentro da mente dos professores brasileiros. Eles estão sendo alvo da própria sociedade. Sociedade a qual é educada pela ignorância.
Retrocesso Coletivo

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