Ode ao passado ou ódio ao passado?

Antes, o próprio corpo era uma forma de protesto. Hoje, o corpo é um produto.
Antes, o próprio corpo era uma forma de protesto. Hoje, o corpo é um produto.

Enquanto o século XX se conceitua como breve e contraditório, o século XXI pode muito bem ser visto como disperso e cego.
A humanidade que perpassou durante o período 1914-1989 não pode ser comparada/igualada com os mesmos humanos de 2001 até os dias seguintes.
Se houvesse uma máquina que pudesse fazer-nos voltar no tempo, mais especificamente para as décadas de 20, 30, 40, 50, 60, 70 ou 80, seríamos estranhos dentro de um mundo em que todos são críticos, desde velhinhos até crianças.
A humanidade do século passado possuía apreço pela memória, pela história, viviam sob a sombra de eventos que abalaram todos de alguma forma, encaravam o futuro com receio, já que o presente acusava uma guerra proeminente. Todos opinavam sobre petróleo, sobre crise econômica, sobre Socialismo e Capitalismo, sobre a China, sobre o mundo subdesenvolvido, todos demonstravam seus ideais e pensamentos, sejam através de músicas, poesias, prosa, teatro, manifestações. Aqui no Brasil havia uma corrente que servia de inspiração para o mundo: Caetano, Gil, Elis, Vandré, Drummond, Marcelo Rubens Paiva; na América Latina havia Neruda, Che Guevara; na Ásia havia Mao, Gandhi, havia a garota sem roupas da foto da Guerra do Vietnã e o garoto da foto do Massacre da Praça da Paz Celestial; o mundo era movido pela prática, pelo pensamento, pelo confronto, pelo apontar de erros através do apontar de dedos, tacando fogo no próprio corpo.
Tudo isto está condenado ao fim, ao esquecimento. Vivemos na crise da memória. Não nos lembramos do que houve de importante ano passado, e nem nos lembraremos do que houve de notório este ano. É a sociedade do descartável, da novidade, do “quanto mais adiantado, melhor”. Vivemos a utopia do futuro, pois para se construir um futuro sem controvérsias o passado deve ser levado em questão. Precisamos resgatar o mundo do século passado.

Ode ao passado ou ódio ao passado?

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