Reutilize a sua garrafa de água

Há alguns dias percebi a quantidade absurda de garrafinhas de água que são acumuladas quando ao invés de reaproveitarmos, compramos mais uma; mais outra e assim sucessivamente.
Desse modo, que tal fazer a diferença? Eu sei que parece um ato pequeno, mas vejam por um lado, reaproveitar significa mais economia no bolso: uma garrafa de água custa R$ 1,25, certo? Em uma semana, se comprarmos todos os dias uma, gastaremos 6,25, e se em um mês comprarmos todos os dias uma garrafinha (pasmem!) gastaremos R$ 27,50.
Todavia, reaproveitar não custa nada! Pode encher em casa mesmo. Além disso, o plástico demora 400 anos pra se decompor, imagina só?! E ainda tem gente que fica com vergonha de chegar em algum lugar com aquela tal garrafinha sem a faixa da marca. Convenhamos, vergonha mesmo é comprar dezenas delas, descartá-las e achar isso “elegante”.
Pelo amor de toda vida! Vamos servir de exemplo! Parar com as piadinhas chulas contra nossos conterrâneos paulistanos.
A seca dramática e séria que São Paulo perpassa é uma forma de alerta. Houve desperdício, houve falta de consciência, houve descaso… Coisa que também presenciamos em terras nordestinas.

Reutilize a sua garrafa de água

Em meio à bagunça, eis que surge uma lâmpada! Ou melhor, uma cisterna!

Com a massificação das redes sociais e a popularização da imagem do “eu”, cheia de “selfies”, de exposição de modos e estilos de vida pautados no bem-estar fica quase impossível encontrar ideias e opiniões que mereçam apreciação e avaliação.
Entretanto, isso não significa que elas não existam. É o caso, por exemplo do Movimento Cisterna Já. Um movimento dito independente, formado e difundido em meio à crise da água que assola a região metropolitana de São Paulo.
Pra se ter uma ideia do quanto e do quão inovador é o Cisterna Já; o grupo de cidadãos conscientes e preocupados com a atual situação da capital paulista resolveu incentivar a captação da água das chuvas. Água que pode ser usada para regar plantas, lavar louças, descarga sanitária; ou seja, usos não potáveis. Usos estes que chegam a 50% dos gastos hídricos em uma residência.
Imagina só a economia de água que tal criatividade pode oferecer!

Modelo de montagem de uma cisterna básica. Forma criativa e fácil de economizar e aproveitar água.
Modelo de montagem de uma cisterna básica. Forma criativa e fácil de economizar e aproveitar água.

ModeloCisterna Já

Em meio à bagunça, eis que surge uma lâmpada! Ou melhor, uma cisterna!

Cultura do desperdício: prenúncio de um caos generalizado.

Não. Este texto não tem o intuito de fazer meras e pífias críticas ou análises à crise de água na região metropolitana de São Paulo; nem muito menos apresentar soluções a curto ou longo prazo (apesar destas serem necessárias).
O objetivo aqui é atentar para um problema que não está somente presente num caso específico, como São Paulo. Mas também em outras metrópoles, a exemplo do Rio de Janeiro, que abriga em sua região metropolitana mais de 10 milhões de pessoas, ou mesmo em metrópoles regionais, como Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e em metrópoles locais e cidades médias, a exemplo de Maceió, Aracaju, Petrolina, Arapiraca e Itabaiana (SE).
É bem comum avistar poças e rastros de água mesmo em dias quentes na maioria das cidades brasileiras; ou torneiras defeituosas, e até mesmo irrigação sem controle de capim para que o mesmo fique verde para todo sempre. O difícil é saber de onde vem toda essa água; pois para onde ela vai todos sabem ou possuem um mínimo de consenso: o esgoto.
As questões primordiais de reaproveitamento de água e captação da água da chuva; além de uma educação baseada em apontamentos acerca dos prejuízos do desperdício, através de palestras em escolas e em visitas à população em geral, ainda são pontos distantes dentre as políticas públicas municipais e estaduais.
Deste modo, os olhos e o apontar de dedos não devem ser direcionados unicamente para São Paulo, ou para grandes cidades; e sim, para nosso comodismo crônico.

Abastecimento de água deve ser acompanhado por planejamento, logística e educação; e não por racionamento.  Ilustração: Daniel Kondo.
Abastecimento de água deve ser acompanhado por planejamento, logística e educação; e não por racionamento.
Ilustração: Daniel Kondo.
Cultura do desperdício: prenúncio de um caos generalizado.