Nossos muros de Berlim secretos

Nove de Novembro de 1989. O mundo se apresentava agitado e politizado. O fervor tomava conta dos seres humanos. A União Soviética dava os últimos suspiros; enquanto os Estados Unidos levantava-se como grande vencedor da tão temível Guerra Fria. “Mr. Gorbachev, derrube este muro!”, disse o então presidente dos EUA, Ronald Reagan.
Sob os olhos de bilhões de pessoas. Sob os olhos de centenas de nações. Sob a sombra de esperança, de paz e de união, o maior símbolo de uma futura extinção da raça humana era colocado a baixo entre marretadas.
“It’s a Beautiful Day!”, gritamos hoje ouvindo a tão enfática música da banda U2, com os olhos cheios de lágrimas e as palmas cheias de suor.
Todavia, hoje reconstruimos o muro de Berlim, ou melhor, os muros de Berlim. Parece que não vivemos longe da divisão, da segregação. Não vivemos longe da defesa dos próprios interesses; da Demagogia. Esquecemos o espírito de coletividade e de Democracia extravasados na década de 80, para dar lugar a um novo autoritarismo: a defesa do “eu”, em detrimento das ideias do “outro” e do próprio “outro”.
O muro de Berlim sobreviveu vinte e oito anos. Os muros da ignorância perduram desde todo sempre, e ainda ninguém se levantou para destruí-lo.

Concretamente derrubado em 1989; o muro de Berlim transforma-se na presente década em variadas barreiras: o comodismo é uma delas.
Concretamente derrubado em 1989; o muro de Berlim transforma-se na presente década em variadas barreiras: o comodismo é uma delas.
Nossos muros de Berlim secretos