Universidade não é escola

Quando pensamos sempre em si próprios, em contraposição ao coletivo, um dia, tudo o que fizemos será esquecido. É como se não existíssemos. Um suicídio silencioso.
Quando pensamos sempre em si próprios, em contraposição ao coletivo, um dia, tudo o que fizemos será esquecido. É como se não existíssemos. Um suicídio silencioso.

A grande questão é esta: a maioria adentra o portão da universidade com o mesmo pensamento de quando estava no Ensino Médio, ou pior, no Ensino Fundamental. E nos casos mais extremos, praticam atitudes e naturaliza-as, como se estivesse no jardim de infância; apesar de algumas crianças serem bem mais conscientes.

Não há qualquer reflexão ou perspectiva de futuro, de engrandecimento, de coletivismo, de mudar a realidade e a sociedade.

Se alguém indagar a um universitário “alienado” verá que ele só pensa em tirar notas satisfatórias, concluir o currículo obrigatório, planejar a saída, levantar o diploma, preencher o Lattes, perguntar questões irrelevantes nas aulas, bocejar. Somente. No outro dia depois da formatura não haverá absolutamente mais nada. Nem futuro, nem proeza, nem perguntas a serem feitas. Nem mesmo respostas a serem escutadas. Nada foi aproveitado ou levado à sério, e sendo assim, não haverá nada para ser comemorado depois disso. Fim de linha. Os que tiverem um pouco de sorte poderão passar em algum concurso e praticar determinada profissão; mas logo verá que o mundo não é feito de algodão doce e não se sentirá satisfeito com nada. Não participará de pesquisas que poderão receber reconhecimento nacional ou internacional, ou prêmios; nem servirá de exemplo para os futuros universitários. Não será citado nas aulas por seus ex-professores, e caso seja citado, será para servir de fracasso. Não mudará a face da sociedade brasileira, mas aparecerá na prova do ENADE, nas piores estatísticas. Se tornará um número a ser combatido.

Todavia, o problema é que não são apenas um ou dois universitários. São centenas; pra não dizer milhares.

As redes sociais e a mídia transmitem em seus conteúdos a supervalorização do “eu”. Engrandecem famosos que conseguiram sucesso de forma “fácil”. Impõem padrões de beleza. Entretanto, ao contrário do conhecimento, a beleza sempre acaba. E a grande diferença entre  beleza e conhecimento é a de que quem soube usar o último de forma coerente foi, é e sempre será lembrado por toda a humanidade; diferentemente dos que valorizaram a beleza, que aos poucos é substituída por uma “nova tendência”.

Da mesma forma, na Universidade, quem age como um estudante colegial poderá até ser lembrado, mas não contribuirá para mudar problemas, nem realidades. Ao contrário daqueles que pensam sempre de forma coletiva e de vanguarda (no futuro). Estes sim, merecem nosso respeito. Os outros merecem atenção e cuidado.

Universidade não é escola